30 novembro 2011

Estudo relativo à percepção sobre formas de contágio de VIH/ Sida

Na véspera do Dia Mundial de Luta contra a Sida, um estudo indica que 28% das mulheres portuguesas ainda acredita que o contacto com fluidos corporais que não sangue (saliva, suor e espirros) e o contacto corporal não sexual podem ser formas de transmissão do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).


Ainda assim, o “Estudo quantitativo da percepção das mulheres portuguesas sobre VIH/sida” indica que a grande maioria das inquiridas (85%) reconhece que o uso do preservativo é a principal forma de prevenir o contágio. Neste mesmo campo, 80% aponta as relações sexuais, as transfusões de sangue (38%) e as seringas infectadas (17%) como principal factor de transmissão do VIH. E, em termos de comportamento associado à transmissão do vírus, 95% referiu relações sexuais de risco com múltiplos parceiros ou sem preservativo, 83% apontou o uso ou consumo de drogas e 42% as relações sexuais em geral.

O trabalho, feito a pedido da farmacêutica Bristol-Myers Squibb, foi realizado em Novembro com base num inquérito semi-estruturado e contou com uma amostra de 151 mulheres entre os 18 e os 65 anos residentes em Portugal continental, distribuídas de forma proporcional ao universo, sendo a margem de erro de 7,98%.

As conclusões do estudo revelam, também, que 87% das mulheres acredita que numa relação sexual não protegida o risco de uma mulher ser infectada é igual ao do homem, com apenas 10% das mulheres a saberem indicar que o risco é superior – sendo que 90% respondeu estar bem informada sobre a patologia e formas de contágio. Em relação às diferenças de género, para 63% das mulheres o VIH/sida afecta na mesma proporção homens e mulheres, embora quando a resposta foi só homens ou mulheres, 24% das entrevistadas respondeu que afectaria mais homens e apenas 9% mais mulheres.

Solteiros vs. casados

No que diz respeito a formas de recolha de informação sobre o tema VIH/sida a televisão foi referida por 79% das inquiridas, seguindo-se os jornais e revistas (46%) e a Internet (33%), sendo esta última a principal fonte para a faixa etária dos 18 aos 24 anos. As mulheres que participaram no estudo disseram sentir que, em termos de discriminação em relação a esta doença, a sociedade em geral continua a ser o principal problema (69%) e só depois o local de trabalho ou a procura de trabalho (30%).

Questionadas sobre o perfil de pessoas infectadas, houve diferenças entre as faixas etárias: 47% das mulheres entre os 55 e os 65 anos considera que há mais infectados entre os 18 e os 30 anos; 43% das mulheres entre os 31 e os 55 anos diz que a faixa mais afectada tem entre 25 e 35 anos. Além disso, em geral, 29% ainda acredita que o estado civil faz a diferença, afirmando que o VIH afecta mais os solteiros do que os casados.

Os dados deste estudo são divulgados numa altura em que Portugal continua a ser um dos países europeus com mais notificações de VIH/sida, referem os últimos dados do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (de 2007) divulgados este mês: na Europa a 15 está em quarto lugar a seguir ao Reino Unido, Bélgica e Luxemburgo.

No entanto, segundo explicou ao PÚBLICO o coordenador nacional para a Infecção VIH/sida, aquando da divulgação destes dados no dia 11 de Novembro, “os números reais de casos novos de infecção devem ser muito mais baixos”, uma vez que está a ser feito um esforço de notificação e de reforço da realização de testes (39% dos portugueses dizem já ter feito um alguma vez na vida). Explicou também que as notificações não se tratam necessariamente de novas infecções, uma vez que dos 2489 casos notificados no ano passado só 1107 é que foram diagnosticados nesse mesmo ano.

Em Portugal estima-se que existam cerca de quatro mil pessoas que estão infectadas e não sabem, uma vez que se pode permanecer até cerca de sete anos sem sintomas, refere. Mas tal como tem acontecido noutros países, a melhoria das terapêuticas e o seu acesso generalizado – cerca de 19 mil pessoas estão a ser tratadas contra o VIH/sida – diminuíram grandemente a mortalidade. Ao todo estima-se que vivam em Portugal mais de 40 mil pessoas com VIH, de acordo com dados da ONUSIDA.

Cerca de 15% das novas infecções por VIH são crianças com menos de 15 anos

Em 2010, cerca de 15% das novas infecções pelo vírus de imunodeficiência humana (VIH) em todo o mundo foram em crianças com menos de 15 anos, refere um relatório internacional divulgado, esta quarta-feira, véspera do Dia Mundial da Sida.
foto PATRICK LIN/AFP
Cerca de 15% das novas infecções por VIH são crianças com menos de 15 anos
Voluntários dão corpo ao símbolo da luta contra a sida em Taipé
Apesar dos novos casos, perto de 390 mil, o valor é bastante inferior face ao pico registado entre 2002/2003, altura em que foram verificadas 560 mil novas infecções em crianças, segundo o relatório "2011-Global HIV/AIDS Response", da responsabilidade da ONUsida, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O documento, divulgado em Genebra, na véspera do Dia Mundial da Sida, que se assinala a 1 de Dezembro, constata que também houve uma diminuição significativa nos números totais.
No ano passado foram registadas um total de 2,7 milhões de novas infecções pelo VIH, o número mais baixo desde 1997 e uma redução de 21% em relação ao pico atingido nesse ano. 

Desde 2001, a incidência anual do VIH caiu em 33 países, 22 deles localizados na África subsaariana. A região continua, no entanto, a suportar mais de dois terços (70% ou 1,9 milhões) das novas infecções.
Em outras regiões, a incidência está novamente a acelerar, como é o caso dos países da Europa de leste e da Ásia central, depois de uma diminuição nos primeiros anos de 2000, tal como estão a surgir novas infecções no Médio Oriente e no norte de África, refere o mesmo relatório. 

No final de 2010, cerca de 34 milhões de pessoas viviam com o VIH, o número mais elevado de sempre que, segundo os especialistas, se deve ao aumento da sobrevivência. Destes casos, mais de 3,4 milhões são crianças com idades inferiores a 15 anos.
A região do mundo mais afectada continua a ser a região da África subsaariana, onde se registam cerca de dois terços (68% ou 22,9 milhões) dos casos de pessoas infectadas com o VIH. Mais de metade (59%) das pessoas infectadas são mulheres.
Na região que inclui a América do norte e a Europa ocidental e central (onde está incluindo Portugal) viviam com o vírus 2,2 milhões de pessoas, mais 34% do que em 2001 (1,6 milhões). Mais de metade (cerca de 1,2 milhões) viviam nos Estados Unidos.
No mesmo ano, 1,8 milhões de pessoas morreram de doenças relacionadas com a sida, contra 1,9 milhões em 2009 e 2,2 milhões em 2005. 

Apesar desta diminuição significativa, os níveis de mortalidade, entre 2001 e 2010, aumentaram 11 vezes na Europa de leste e na Ásia central e mais que duplicaram na Ásia oriental. No Médio Oriente e no norte África, as mortes relacionadas com a sida aumentaram 60% (de 22 mil para 35 mil).
No final do ano passado, o número de pessoas que tinham acesso a tratamento antiretroviral em países de baixo e médio rendimento, segundo os termos utilizados no relatório, atingia os 6,65 milhões, o que significa que este número aumentou 16 vezes nos últimos sete anos.
Com base nestes valores, o relatório indica que quase metade (47%) das pessoas que necessitam do tratamento tem acesso à terapia antiretroviral, mais 1,35 milhões (ou 39%) que em 2009. 

No total, 7,4 milhões que viviam com o vírus VIH receberam terapia antiretroviral, incluindo aqueles que viviam em países desenvolvidos.
O relatório destaca ainda que, em 2010, quase 50% das grávidas que viviam com o vírus estavam a receber tratamento para prevenir a transmissão mãe-filho.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2158396 

29 novembro 2011


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24 novembro 2011

Há cada vez mais anúncios a oferecer sexo desprotegido

"Alta, super elegante e sensual. O [oral]. natural." Multiplicaram-se os anúncios de serviços sexuais e cada vez mais há referências explícitas a sexo desprotegido. A ilação é de quem faz parte do Porto G, projecto da Agência Piaget para o Desenvolvimento.

A equipa começou por telefonar a anunciantes, a oferecer os seus préstimos. Desde 3 de Fevereiro de 2009, entrou em 134 apartamentos, casas de massagem, bares de alterne e outros espaços e contactou com mais de 500 profissionais do sexo, quase todos do sexo feminino. "Possuem crenças e conhecimentos limitados acerca do VIH e de outras doenças sexualmente transmissíveis", conclui-se no relatório final, a apresentar amanhã, no seminário Trabalho Sexual e Direitos Humanos, que o Porto G organiza na Fundação Engenheiro António de Almeida, no Porto.

Em conversas com prostitutas que tendem a demorar mais de uma hora, a equipa ouve falar em comportamentos de risco "tão enraizados que requerem tempo para serem desafiados e modificados". Colecciona exemplos, o coito desprotegido com clientes conhecidos, o uso de dois preservativos em simultâneo, o recurso a óleos em vez de lubrificantes, o sexo oral desprotegido, a interrupções voluntárias da gravidez sem vigilância médica...

"O trabalho sexual atravessa uma fase sem precedentes em Portugal, reflexo de uma crise que se faz sentir em quase todos os sectores da economia", escreve-se, no documento a que o PÚBLICO teve acesso. Há "cada vez mais" anúncios, explica a coordenadora, Aline Santos. Mediante tanta concorrência, descem os preços dos serviços (há mulheres a cobrar 20 euros e transexuais a cobrar 50) e sobe a "oferta de prestação de sexo desprotegido".

Numa semana de Junho deste ano, num único jornal nacional, a equipa encontrou 1706 anúncios de trabalho sexual. Ora, 271 apregoavam práticas sexuais desprotegidas.

A equipa não se limita a fazer educação para a saúde. Também entrega "ferramentas" que permitam realizar o trabalho sexual "com menos risco". Nas visitas domiciliárias, distribuiu 51.712 preservativos masculinos, 9999 femininos, 14.204 extrafortes, 4295 de sabor, 31.909 lubrificantes e 488 bandas de látex. Nos acompanhamentos, outros 7355 preservativos masculinos, 1710 femininos, 1805 extrafortes, 597 de sabor e 4360 lubrificantes.

Há um interesse crescente pelo preservativo feminino. "A primeira reacção foi de estranheza", diz Aline Santos. "Fomos dizendo para cada uma experimentar, num ambiente mais confortável, com o companheiro." Agora, muitas usam-no, sobretudo, para atender clientes com problemas de erecção. Outras ainda a desconfiarem da sua eficácia, referem desconforto, temem "deseducar" os clientes.

A maior resistência ao uso do preservativo vem dos clientes. "É fundamental informá-los e co-responsabilizá-los", defende a mesma técnica. Desde Maio de 2009, todos os meses, o Porto G publica um anúncio, na secção de Relax do tal jornal, a oferecer "apoio e confidencialidade a clientes".

O ambiente, amanhã, será de alguma incerteza. O financiamento da Coordenação Nacional para o VIH-Sida terminou em Outubro. A candidatura para um Porto G reformulado foi apresentada em Maio, mas aguarda ainda resposta. A Agência Piaget para o Desenvolvimento está a mantê-lo, enquanto espera luz verde para continuar no Porto e alargar a intervenção a Lisboa. "O que se gasta em prevenção é muito menos do que o que gasta em tratamento. Uma pessoa com sida custa dez mil euros por ano ao Estado, uma equipa destas custa 57 mil euros por ano", remata Aline Santos.
 

21 novembro 2011

Dia Mundial de Luta Contra a Sida 2011

O tema para o Dia Mundial da Sida deste ano é "Getting to Zero". 
Zero novas infecções, 
Zero pessoas discriminadas e 
Zero mortes relacionadas com a infecção VIH. 

Veja as imagens da campanha no ligação:

15 novembro 2011

Portugal com menos casos de toxicodependentes com VIH

Portugal é um dos países da Europa com mais novos casos de VIH por milhão de habitantes entre os consumidores de droga injectável, mas é também um dos que regista uma diminuição do número total de infectados.

De acordo com o relatório de 2011 do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), divulgado esta terça-feira em Lisboa, apesar de Portugal se encontrar em quarto lugar nos cinco países com maior número de novos casos de VIH entre os consumidores de droga injectável, é um dos três que regista um decréscimo de infecções provocadas por novos casos.

Segundo os dados do último relatório do OEDT, que neste campo reportam a 2009, os números de novos casos de VIH entre os consumidores de droga injectável colocam no topo da tabela a Estónia (63,4/milhão de habitantes), seguida da Lituânia (34,9), Letónia (32,7), Portugal (13,4) e Bulgária (9,7).

Dos cinco países com mais novos casos (incidência) no seio dos consumidores de droga injectável, entre 2004 e 2009, Portugal é um dos três que regista decréscimo entre esta população, com a Estónia a apresentar um aumento de 28,8 (em 2008) para 63,4 casos em 2009 e a Lituânia de 12,5 em 2008 para 34,9 em 2009.

Portugal surge também em destaque entre os cinco países com uma descida do número total (prevalência) de infectados com VIH entre os consumidores de droga injectável, atrás da Áustria, França, Itália e Polónia, depois de vários anos no topo desta lista negra, revela o OEDT.

A agência europeia de informação sobre droga, sediada em Lisboa, sublinha que "na última década, a União Europeia obteve grandes progressos no combate à infecção do VIH entre os consumidores de droga injectável, incluindo uma maior responsabilidade de medidas de prevenção, tratamento e redução de danos", como é o caso de Portugal.

Os últimos dados europeus mostram que o índice médio de novos casos de infecção pelo VIH notificados continua a diminuir na Europa, tendo atingido um novo valor mínimo de 2,85 por milhão de habitantes (cerca de 1.300 casos), diz o OEDT, sublinhando que "a situação na UE é positiva, tanto em relação ao contexto mundial, como ao contexto europeu mais amplo".

Contudo, a agência europeia considera que a epidemia de VIH entre os consumidores de droga injectável "continua a constituir um grave problema de saúde pública para muitos países vizinhos da UE" e alerta que "a sobrecarga que a crise económica está a impor aos orçamentos dos serviços de tratamento aos toxicodependentes também poderá pôr em risco a capacidade dos países para fornecerem respostas adequadas às pessoas que correm maior risco de infecção".

No que respeita a outras doenças infecto-contagiosas, a hepatite viral, e em especial a hepatite C, continua com uma elevada prevalência entre os consumidores de droga injectável de toda a Europa, com variações grandes entre os países, o mesmo sucedendo com a hepatite B.

A tuberculose mantém também uma prevalência alta, tendo sido identificados em 2008 um total de 82.605 casos em 26 estados-membros da UE e na Noruega, com taxas superiores a 20 casos por 100.000 habitantes na Bulgária (41,2), na Estónia (33,1) na Letónia (47,1), na Lituânia (66,8), em Portugal (28,7) e na Roménia (114,1).

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2124056&page=-1