20 setembro 2011

Investigadores da Catalunha anunciam nova vacina para a SIDA

Investigadores da Catalunha, Espanha, anunciaram, esta terça-feira, uma nova vacina com grande capacidade de estimular a resposta imunitária e capaz de funcionar como vacina preventiva contra a SIDA, devendo ser testada em pessoas dentro de dois anos.

A vacina, à base de uma proteína feita a partir de 46 moléculas virais, resultou de uma investigação dirigida pelos médicos Bonaventura Clotet e Josep María Gatell, ambos ligados ao Projecto de Investigação da Vacina contra o VIH da Catalunha.

O anúncio dos resultados da investigação coincidiu com a realização do III Simpósio sobre as Novas Estratégias para Desenvolver Vacinas contra o VIH, evento que tem a presença de Françoise Barre-Sinousi, prémio Nobel de Medicina.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2006324

15 setembro 2011

Gatos fluorescentes podem dar pistas para o combate à sida

O FIV (sigla em inglês para Vírus de Imunodeficiência Felina) está para os gatos como o HIV está para os humanos. É um vírus que mina o sistema imunitário dos felinos e que os torna susceptíveis a fungos, bactérias ou outros vírus. Os humanos e os macacos – que sofrem de uma doença semelhante – não contraem este vírus dos gatos (assim como os gatos não contraem o HIV, por exemplo) provavelmente devido à TRIMCyp, uma proteína que se pensa que reconhece a capa do FIV e ordena o sistema imunitário matar o vírus.

Os cientistas decidiram inserir nos gatos este gene para tentar obter o mesmo tipo de protecção no felino. Mas em conjunto com este gene, inseriram outro pedaço de ADN que codifica uma proteína que emite fluorescência.

“Fizemo-lo para encontrar mais facilmente as células quando as observamos ao microscópio ou quando projectamos uma luz no animal”, disse citado pela BBC News Eric Poeschla, da Clínica Mayo, em Rochester, nos Estados Unidos. O cientista é um dos responsáveis pelo estudo e um dos autores do artigo da Nature Methods, que juntou investigadores norte-americanos e japoneses.

A utilização da GFP (a sigla inglesa para a Proteína Fluorescente Verde) é comum na ciência, mas nunca tinha sido aplicada a um carnívoro. Baseia-se na inserção do gene da GFP numa célula fecundada de um animal – neste caso de um gato – juntamente com o gene da proteína que se quer estudar.

Se tudo correr bem, quando uma célula do organismo geneticamente modificado produz a nova proteína, também produz a GFP. E aos cientistas, basta submeter as células a um certo tipo de luz para ver a fluorescência e confirmar que se está a dar a produção da proteína que se quer estudar.

No caso dos gatos, a inserção dos genes nas células fecundas foi feita com um vírus e a técnica foi um sucesso. Quase toda a descendência dos gatos onde foram inseridos os genes produzia a proteína contra o FIV, e em todo corpo, como se pode ver na fotografia. Os cientistas tentaram depois infectar com o FIV células sanguíneas destes gatos, mas não tiveram sucesso.

“Isto dá uma capacidade sem precedentes de estudar os efeitos da protecção de um gene num animal vulnerável [devido a uma doença parecida com a sida]”, disse Poeschla à Reuters, sublinhando que só os felinos e os macacos é que sofrem de uma doença semelhante ao dos humanos.

Ao Guardian os professores Helen Saug e Bruce Whitelaw deixaram um alerta. “Isto tem um valor potencial, mas o uso de gatos geneticamente modificados como modelos para doenças humanas é muito provavelmente limitado e só se justifica se outros modelos não forem adequados”, disseram os investigadores do Instituto Roslin da Universidade de Edimburgo, onde em 1996 a ovelha Dolly foi clonada.

Mas uma descoberta no combate ao FIV também poderá trazer utilidade terapêutica aos felinos que sofrem com esta doença. A equipa de Poeschla vai agora testar se os gatos geneticamente alterados passaram a ser imunes ao FIV ou se são mais resistentes a desenvolverem a versão felina da sida.

http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/gatos-fluorescentes-podem-dar-pistas-para-o-combate-a-sida_1511620

19 agosto 2011

Novos anticorpos contra o VIH podem ajudar a produzir vacina

O mundo está cheio de estirpes do VIH, e essa é uma das grandes dificuldades no combate desta epidemia. Para a produção de uma vacina é necessário ter em conta esta diversidade e criar em cada pessoa imunidade contra as estirpes dos quatro cantos do globo. Por isso, a descoberta de 17 novos anticorpos monoclonais contra o VIH feita por uma equipa norte-americana e publicada nesta quarta-feira na edição on-line da revista Nature, é um motivo de esperança.

Estes anticorpos são moléculas que se ligam ao vírus e o assinalam como um alvo, para as células do sistema imunitário o matarem. Existem actualmente terapias de anticorpos monoclonais para várias doenças autoimunes e alguns cancros.

Entre as pessoas infectadas com o VIH há uma percentagem de dez a 30 por cento cujo sistema imunitário desenvolve anticorpos especialmente competentes em detectar o vírus. Numa pequena percentagem desta população, a quantidade de vírus mantém-se muito baixa, e estas pessoas não chegam a desenvolver sida. A doença só é declarada quando um grupo específico de células imunitárias se torna tão reduzido, por serem atacadas pelo vírus VIH, que os doentes ficam susceptíveis a qualquer tipo de doença. Foi assim que morreram 25 milhões de pessoas desde 1981.

A equipa do Instituto de Tecnologia do Massachusetts que publicou agora a sua descoberta na Nature encontrou estes anticorpos depois de analisar 1800 indivíduos com resistência ao vírus. Muitos dos anticorpos revelaram-se extremamente potentes. Ou seja, em concentrações muito pequenas inibem a actividade do vírus.

“Estes anticorpos são dez vezes mais eficientes do que outros já isolados”, disse por e-mail ao PÚBLICO Katie Doores, uma das investigadoras do estudo. “O que significa que não é necessário provocar tanta produção de anticorpos através da vacinação.”

Isto é importante. “A quantidade de anticorpos que se produz varia com cada pessoa. Se em pequenas concentrações o anticorpo funcionar, então mais probabilidades há da vacina funcionar”, disse ao PÚBLICO Eugénio Teófilo, médico português que trabalha com doentes infectados pelo VIH no Hospital dos Capuchos.

Além disso, muitos dos novos anticorpos identificam várias estirpes do vírus, o que assegura que uma vacina hipotética proteja contra 62 a 89 por cento das estirpes, avança o artigo.

O passo seguinte, segundo Doores, é tentar produzir uma vacina, ou seja, criar artificialmente as moléculas do vírus que estes 17 anticorpos identificam. Num indivíduo saudável, estas moléculas produziriam uma resposta imunitária — os anticorpos que se colam ao VIH.

Mas Eugénio Teófilo alerta que os anticorpos agora descobertos não andam pelas regiões do corpo que têm o primeiro contacto com o vírus, como as mucosas, onde se poderia evitar o começo da infecção. No entanto, o médico defende que a vacina pode vir a ser terapêutica e fazer com que as pessoas infectadas controlem o vírus sem medicamentos.

http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/novos-anticorpos-contra-o-vih-podem-ajudar-a-produzir-vacina_1508040

13 junho 2011

Equipa da Universidade do Porto trabalha em "vacina" contra a obesidade

A busca de uma vacina, ou de uma terapêutica contra a obesidade é algo em que a ciência tem vindo a investir devido não só ao crescimento da doença por todo o mundo (Portugal tem 12,8 por cento de obesos e ocupa a 15 posição no ranking mundial), mas também devido à relação da obesidade, como factor de risco, com as patologias cardíacas ou com a diabetes.

Já uma equipa norte-americana, do prestigiado Scripps Research Institute, na Califórnia, EUA, tinha desenvolvido em 2006, uma vacina testada em animais, a EpiVax, que, contudo, ainda não percorreu também o longo caminho até chegar aos ensaios clínicos em humanos.

Mariana Monteiro explicou ao PÚBLICO como actua esta vacina e no que difere da experiência de 2006: “O princípio é o mesmo, aliás foi esse o estudo que nos serviu de inspiração como prova de conceito. No entanto, a vacina apresentada em 2006 usava a BSA (bovine serum albumin) como transportador, existindo várias limitações à sua utilização em humanos uma vez que são proteínas bovinas e têm riscos biológicos potenciais. A nossa equipa utiliza uma molécula semelhante a um vírus já utilizada noutras estratégias vacinais em humanos, o que significa que se os estudos forem favoráveis nos animais podem ser directamente transpostos para o humano.”

A vacina actua através da supressão da actividade de uma hormona estimulante do apetite, a grelina. Em ratinhos, esta vacina conseguiu diminuir a vontade de ingerir alimentos e aumentou o gasto de calorias”.

“Em estudos preliminares realizados não encontramos sinais de toxicidade, pelo que a grande vantagem da nossa vacina em comparação com a anterior é a sua potencial segurança”, diz a investigadora.

Segundo a investigadora, os efeitos da vacina são idênticos aos que se obtém com a cirurgia bariátrica. “Quando os doentes são operados, quando fazem por exemplo um ‘bypass’ gástrico, os níveis de grelina não aumentam e, portanto, as pessoas têm um aumento da saciedade que é atribuível à manutenção dos níveis baixos dessa hormona”, disse.

E a vacina permitirá também evitar a recuperação de peso depois de dietas, exercício ou cirurgia, inibindo esta hormona: “É o que designamos como efeito ioiô”, sintetizou.

No entanto mariana Monteiro frisa que a vacina deverá ser sempre combinada com dieta e exercício físico”.


Mariana Monteiro frisa que a transposição para o domínio humano destes resultados, apresentados no passado fim-de-semana na Reunião Anual da Sociedade de Endocrinologia, que decorreu em Boston, nos EUA, obriga à realização de muitos outros estudos, que deverão prolongar-se por vários anos.

“Em média, desde a descoberta de uma nova molécula à sua introdução no mercado, demora entre 10 e 15 anos.”

A equipa prevê a publicação em breve dos seus resultados numa revista científica. Mas a recepção aos resultados apresentados à comunidade científica em Boston foi muito calorosa, diz a investigadora.

Ana Machado
http://www.publico.pt/Ciências/equipa-da-universidade-do-porto-trabalha-em-vacina-contra-a-obesidade_1498231


Obesidade infantil

Um terço das crianças portuguesas tem excesso de peso ou está já numa situação de obesidade. Ao fim-de-semana, passam 13 horas a ver televisão ou a jogar computador e os alimentos que mais consomem são os que deviam ser evitados.

Os primeiros dados oficiais sobre a prevalência da obesidade infantil em Portugal - que resultam de uma iniciativa lançada pela Organização Mundial de Saúde com o objectivo de implementar uma metodologia unificada de avaliação do estado nutricional das crianças na Europa - foram agora divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). O Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil (COSI) revelou que as crianças portuguesas são, a par das italianas, as mais pesadas da Europa, segundo Ana Isabel Rito, investigadora do INSA e coordenadora do estudo.

Helena Norte

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1876657

10 maio 2011

Papilomavírus humano

As doenças causadas pelo papilomavírus humano (HPV) representam um custo anual para o Serviço Nacional de Saúde estimado em 45,8 milhões de euros, revela um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública.

O estudo, que será divulgado, segunda-feira, em Lisboa no congresso "Eurogin 2011", visou estimar a carga de doenças relacionadas com HPV em homens e mulheres e teve como base a incidência e os custos totais para o SNS, bem como o total de mortes por cancro ocorridas em 2009 em Portugal.

A investigação focou em especial os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18, abrangidos pela vacina quadrivalente integrada há três anos no Plano Nacional de Vacinação. Os cancros da cabeça e pescoço, do colo do útero e verrugas genitais são as doenças que representam os maiores encargos financeiros entre as doenças relacionadas com HPV.

Segundo o resumo do estudo, a que a agência Lusa teve acesso, os custos totais com estes quatro tipos de HPV representam cerca de 24,2 milhões de euros (52,9% dos custos totais de doenças por HPV).

Embora as verrugas genitais não sejam tão relevantes em termos de mortalidade, a sua incidência e os custos totais com diagnóstico e tratamento representam um custo estimado de 8,5 milhões por ano, superiores aos custos totais estimados em 2009 para tratamento do cancro do colo do útero.

O estudo refere ainda que a administração da vacina poderá traduzir-se numa poupança anual estimada de 11,5 milhões de euros em diagnóstico e tratamento.

O coordenador do estudo "Impacto da Vacinação com a Vacina Quadrivalente em Portugal: 2007-2011" adiantou à Lusa que a "longo prazo", mais de 30 anos, o Estado poderá poupar cerca de 114 milhões de euros em despesas com estas doenças.

O estudo, que teve em conta o universo de cerca de 285 mil adolescentes e mulheres já vacinadas, estima, considerando o ciclo de vida da mulher, o seguinte impacto em termos de casos evitados: 422 mortes por cancro do colo do útero, 2.225 novos casos, 24.082 casos de lesões pré-cancerosas do colo do útero (CIN 2/3) e 19.352 casos de verrugas ou condilomas genitais.

Estes ganhos em saúde reflectem-se também em ganhos financeiros com uma poupança de custos de diagnóstico e tratamento estimado em 114 milhões de euros: 59 milhões em lesões pré-cancerosas do colo do útero (CIN 2/3), 30 milhões em cancro do colo do útero e 11,5 milhões de euros em verrugas ou condilomas genitais.

"O facto de existir uma vacina que protege contra os condilomas genitais, que apresentam um custo anual de cerca de 5,4 milhões de euros para cerca de 9 mil novos casos em mulheres" pode permitir ao Estado a poupança de 11,5 milhões de euros a longo prazo no tratamento destas lesões", adiantou Carlos Costa.

A vacina está disponível em Portugal desde 2007 e, até ao momento, já foram distribuídas cerca de 1 milhão de doses, das quais 870 mil doses foram administradas no âmbito do PN

Em Portugal, a incidência estimada do cancro do colo do útero, da vulva e da vagina é, respectivamente, de 18, 4 e 1 em 100 mil habitantes. A incidência estimada de verrugas genitais em mulheres é de 197 por 100 mil.

Para os homens, a incidência estimada de verrugas genitais e do cancro do pénis é, respectivamente, 269 e 2 por 100 mil habitantes.

Carlos Costa adiantou à Lusa que cerca de 270 mulheres morrem anualmente em Portugal com cancro do colo do útero.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1847708&page=-1

04 abril 2011

Uso Preservativo Sempre 2



Campanha promovida pela Coordenação Nacional para a Infecção VIH/ Sida